Saudade de escrever como eu escrevia há dois anos.
Eu não tinha medo do que iam pensar dos meus escritos.
Na verdade, não é que eu tenho medo hoje. É que descobri que há coisas que são melhores caladas.
Por isso me empolguei com o
Tumblr. Nele eu reblogo fotos e frases sem ter que endereçar. Sem deixar na cara que pensei em alguém. Nele, naquele ou naquela.
E descobri - ok, eu já sabia - que as palavras geram tanto estresse. Elas tem duplos sentido, elas marcam, elas assinam. E exatamente por serem tão pesadas que eu as amo. E preciso delas.
Mais do que escrever, eu preciso ler. Ler o que escrevi ou ler o que me escreveram.
Saber que o pensamento surgiu, foi codificado, passou pela cabeça, desceu escorrendo até os dedos, bateu tecla por tecla, num esforço elétrico foi parar na tela e ganhou forma. E se salvou, e apertou enter, e publicou pra todo mundo ler e entender. E foi lido.
E está ali. Marcado. Como uma foto estampada no fundo da retina.
Qualquer frase tem efeito. O efeito de uma frase é o efeito daquele olhar.
Sabe aquele olhar? Aquele que atravessou a mesa e bateu em você e te deixou com as bochechas cor-de-rosa e as pernas um pouco moles? Esse olhar.
Uma frase também tem efeito de beijo no olho, de carinho na nuca, de pés enrolados no frio.
E mesmo assim, já repararam que é mais fácil atravessar todo esse processo de escrita do que aceitar a realidade de um gesto?
É, escrever pesa mas escrever pode ser fútil.
"'Cause saying 'I Love You' has nothing to do with meaning it!"
Vai ver por isso eu abandonei um pouco as palavras. Abandonei o blog e segurei as teclas um pouco. Tenho tentado dar mais valor aos gestos, olhares e toques. Do que ao que me falam e digitam.
Não sei ainda o que é mais forte. Nem se deveria existir essa divisão de 'poderes'. E tem sido difícil pra uma menina de códigos entender coisas tão aéreas como beijos e abraços.
Mas tem sido uma aventura.
Talvez passe mais tempo longe daqui.
Talvez não.