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(esse post foi patrocinado por mim mesma)
Era uma vez um mundo com apenas dois tipos de pessoas: as de olhares e as de palavras.


As de palavras não costumavam se entender muito com as de olhares, e vice versa. Quando uma olhava, a outra falava. Quando outra falava, uma desviava. E assim eram praticamente todos os dias. Por serem diferentes, elas se dividiam e mal se esforçavam pra se entender.


As que falavam costumavam casar e ter filhos com as que falavam. Moravam juntas, falavam sobre as paredes, sobre os lençóis, sobre os programas da tv e sobre o supermercado. E não era raro ver essas palavras virando gritos, e discussões que não terminavam nunca. E as casas começavam a ficar tão cheias de letras e palavras, de textos e poesias e xingamentos, que num certo momento cada um estava num canto da sala, esmagados por negritos, itálicos e caixas altas, e não conseguiam mais falar nenhuma palavra, já que não havia mais espaço. Aí então reinava o silêncio. Mas elas não entendiam o silêncio. E ali tudo acabava.


Já as pessoas de olhares, ficavam andando pelas ruas e atirando piscadelas pra todos os lados. Era só olhar pro lado e já vinha outro olhar. E uma sobrancelha levantada. E uma encarada demorada. E nesses segundos de trocas de olhares os sentimentos eram entendidos entre essas pessoas de uma forma tão rápida e segura que ninguém conseguia direito explicar (só os que viam). Mas de tanto olhar, eles não prestavam atenção no que lhes falavam. E nem no que lhes diziam e gritavam. Só no que mostravam. E o silêncio era a melhor forma de se comunicar com eles. Mas às vezes distraídos perdiam um olhar, ou se esqueciam de ver. E então se sentiam sozinhos, num mundo onde ninguém os compreendia.


Então um dia uma pessoa de palavra, já cansada de tanto diálogo, encontrou uma pessoa de olhar, também cansada de nunca ser entendida. A princípio elas tentaram falar e olhar ao mesmo tempo. Mas notaram que não daria certo. Daí, a que falava aprendeu umas piscadas. E a que olhava aprendeu a falar. E começaram então a se perguntar se era mesmo necessário falar o que já era visto. E conversavam por horas e horas sobre coisas que os olhares não enxergariam. Então souberam entender que tem hora pra falar e tem hora pra ver. E que na verdade, o importante é invisível aos olhos e palavras são tão gostosas e perecíveis quanto um copo de leite fora da geladeira.



E ele vê nela toda a doçura do mundo.
E tudo o que ele sente que precisa é ser homem o suficiente para ser homem para ela.
Proteger, apoiar, suportar.
Ser forte. Ser corajoso. Ser uma estrutura inquebrável para ela.
Mesmo ela parecendo ser daquelas que não mostra nenhuma fragilidade.
Mesmo ela parecendo ser daquelas que passa longe do que chamam de cor-de-rosa.
Mas ela é.
E só cobiça pelo homem que seja homem o sufiente para ser homem para ela.
E a ele então ela promete toda a doçura do mundo.
Nutrir, apoiar, amar.
E se fazer frágil. Se fazer delicada. Se fazer jardim, para cuidar de todas as flores que ele trouxer.
Ele a olha através do salão, enquanto mexe com o dedo o gelo do copo de Whisky.
Sorri discretamente quando nota que ela está de novo tentando dançar.
Ele só fica observando e sorrindo. Enquanto alguns amigos ao lado estão gargalhando e contando aquela história 'daquela vez, lembra?', ele só acena com a cabeça e sorri. E a olha.
Ela dança toda feliz. Abraça uma amiga que chegou de longe e a roda no ar. Conta que ele está ali perto do bar, com a galera toda. Ele vê, acena e ainda sorri.
A música cada vez mais alta, as gargalhadas, as vozes, copos e garrafas...
Ninguém precisa saber de nada a mais do que o que está naquele ar leve de domingo a noite. Ninguém pergunta nada.
É só mais um dia feliz. E eles estão felizes. Como anfitriões, como amigos, como conhecidos de longa data e cúmplices. Eles estão ali, um em cada canto do salão. Tão longe um do outro mas tão, tão perto quanto ninguém duvidaria.
Não existe lembrar de um sem lembrar do outro. Não existe perguntar do dia de um, sem saber o que aconteceu com o dia do outro.
Cada problema que apareceu eles resolveram juntos. E eles estão sorrindo.
Cada amigo que sumiu, cada amigo que chegou (e com eles, os amigos preferem chegar). Toda bomba que explodiu.
Todos estes anos eles enfrentaram tudo juntos, ganharam algumas rugas, alguns calos e cabelos brancos. Mas a maioria das rugas foram de tanto sorrir. E é isso que eles fazem tão bem: sorrir.
O sorriso que um dá ao outro é tão único que quando acontece ninguém duvida. Ninguém duvida que até do outro lado do salão, o sorriso na boca dos dois é o mesmo pra toda a vida.



Essas noites frias de tpm.


Não gosto delas.


Elas me fazem pensar demais. Coisa que tenho evitado.


Me sinto frágil. E fico mais racional.
Deveria ficar melosa e romântica, como a maioria das mulheres na parte chorosa da tpm.

Mas fico racional, e de forma triste. Porque lembro das dores todas que já senti. E que tento esconder.
E acabo por pensar demais tramando meios pra não as sentir mais - nunca mais - e assim ser apenas racional.


Percebi nessas noites frias que passei mais tempo da minha vida sofrendo por amores que perdi ou que não poderia ter, do que sentindo a felicidade de gostar de quem me gosta. E de estar junto.
Todos os momentos felizes que já passei com alguém(s), todos os momentos felizes que já passei sozinha pensando em alguém(s) ou sabendo que estava sendo pensada, somados, não dão metade dos dias que passei me conformando que 'ele' não era a pessoa certa, que eu teria que esquecer 'aquele' ou que eu nunca faria com que 'esse' se comprometesse.
E esses três pronomes já pertenceram a mais de três pessoas (até mesmo uma pessoa já pertenceu a mais do que um desses pronomes).
Enfim, o foco não é esse.


O foco é que quando chegam as noites frias de tpm sozinha em casa, eu acabo tomando decisões.
Decisões estas que eu acabo ignorando nas noites quentes de dias normais, me levando a fazer coisas que depois, nas próximas noites frias de tpm, eu vou me arrepender de ter feito.



E isso não é legal.



E sei que essa semana vai acontecer tudo isso.









Ainda esperando pela noite fria de tpm em que, antes de pensar em ser racional, vou ter um abraço e um sorriso que me façam esquecer de pensar novamente.
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Saudade de escrever como eu escrevia há dois anos.
Eu não tinha medo do que iam pensar dos meus escritos.
Na verdade, não é que eu tenho medo hoje. É que descobri que há coisas que são melhores caladas.
Por isso me empolguei com o Tumblr. Nele eu reblogo fotos e frases sem ter que endereçar. Sem deixar na cara que pensei em alguém. Nele, naquele ou naquela.
E descobri - ok, eu já sabia - que as palavras geram tanto estresse. Elas tem duplos sentido, elas marcam, elas assinam. E exatamente por serem tão pesadas que eu as amo. E preciso delas.
Mais do que escrever, eu preciso ler. Ler o que escrevi ou ler o que me escreveram.
Saber que o pensamento surgiu, foi codificado, passou pela cabeça, desceu escorrendo até os dedos, bateu tecla por tecla, num esforço elétrico foi parar na tela e ganhou forma. E se salvou, e apertou enter, e publicou pra todo mundo ler e entender. E foi lido.
E está ali. Marcado. Como uma foto estampada no fundo da retina.
Qualquer frase tem efeito. O efeito de uma frase é o efeito daquele olhar.
Sabe aquele olhar? Aquele que atravessou a mesa e bateu em você e te deixou com as bochechas cor-de-rosa e as pernas um pouco moles? Esse olhar.
Uma frase também tem efeito de beijo no olho, de carinho na nuca, de pés enrolados no frio.
E mesmo assim, já repararam que é mais fácil atravessar todo esse processo de escrita do que aceitar a realidade de um gesto?
É, escrever pesa mas escrever pode ser fútil.
"'Cause saying 'I Love You' has nothing to do with meaning it!"
Vai ver por isso eu abandonei um pouco as palavras. Abandonei o blog e segurei as teclas um pouco. Tenho tentado dar mais valor aos gestos, olhares e toques. Do que ao que me falam e digitam.
Não sei ainda o que é mais forte. Nem se deveria existir essa divisão de 'poderes'. E tem sido difícil pra uma menina de códigos entender coisas tão aéreas como beijos e abraços.
Mas tem sido uma aventura.
Talvez passe mais tempo longe daqui.

Talvez não.
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Ele gosta tanto dela.
E ela dele. E de outros também.
E tá tudo bem.
Ela gosta tanto dele.
E ele dela. Mas talvez só por hoje.
E amanhã também.
Tudo bem.
E ela ainda chorava por ele.
E ele foi embora sem ela. Com aquela.
E tá tudo bem. Até amanhã, também.
Ele lá parado olhando ela dançar.
E ela tá bem. E amanhã, ele também.
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